domingo, 28 de julho de 2013

'Inexplicável', diz ferida na Kiss ao voltar andar após ter perna amputada

Com os dois pés no chão, Kelen Giovana Ferreira, de 20 anos, pode voltar a sorrir e caminhar. Na sexta-feira (26), um dia antes da tragédia de Santa Maria completar seis meses, ela viajou 500 km, de Alegrete a Porto Alegre, para vestir sua prótese pela primeira vez. A perna direita da estudante precisou ser amputada abaixo do joelho após o incêndio que matou 242 pessoas na boate KissEstudante de Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Santa Maria, na noite da tragédia a jovem estava na casa noturna ao lado de duas amigas. Elas não conseguiram se salvar. “Elas foram ao banheiro e eu estava sozinha. Quando me dei conta do que estava acontecendo falei ‘vou buscá-las’. Uma mão de um homem me puxou e disse ‘tu não vai’ e me levou até a frente. Acho que foi Deus”, relembra. “Puxei o vestido até o nariz e comecei a rezar. Pensava que não podia morrer ali”.

Na clínica, ela provou a prótese na companhia do pai. Assim como experimentar um vestido para uma festa, o protesista observou as adequações necessárias para o material, que são confeccionados ali mesmo. “Vamos ajustar tamanho, peso, etc. Ela vai utilizar um sistema que tem pé e tornozelo biônico, que lê os movimentos e antecipa”, explica o especialista Jairo Blumenthal. Auto-regulável, a prótese tem uma leitura de mil vezes por segundo e custa cerca de R$ 52 mil. “Ela dura cinco anos. Depois, tem de fazer a manutenção”, completa Blumenthal.

Sozinha, Kelen pode encaixar o objeto na perna. Já que a sua amputação foi transtibial, ou seja, abaixo do joelho, ela escolheu uma das técnicas mais avançadas. A única preocupação da jovem eram os sapatos. “Eu quero poder voltar a usar salto”, disse.

São necessários 13 cliques até que a malha que cobre a cicatriz se una à perna falsa através de um pino. Depois, é só treinar. “A gente normalmente não tem noção do peso da perna, mas a da prótese é muito mais pesada”, falou Kelen sobre as impressões iniciais.

Depois de caminhar ao lado do especialista, segurando-se em barras, a gaúcha conseguiu bater palmas, atender o telefone e segurar objetos sem precisar se apoiar. Desde que realizou a cirurgia de amputação, ela se locomovia com um andador. “Acho que mereço uma cervejinha!”, brincou.

G1

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