"Os artigos que publicamos são uma porção muito pequena das revelações que devem ser publicadas", disse Greenwald durante uma audiência na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, que investiga o caso, nesta terça-feira.
"Com certeza vão ter muito mais revelações sobre a espionagem do governo dos Estados Unidos ... e como eles estão invadindo comunicações no Brasil e na América Latina", disse ele.
O correspondente do jornal britânico The Guardian baseado no Rio de Janeiro disse que pediu a ajuda de especialistas para entender alguns dos 15 mil a 20 mil documentos sigilosos da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos que Snowden passou para ele, alguns dos quais são "muito longos e complexos e levam algum tempo para serem lidos".
Greenwald disse que não acredita que o site pró-transparência WikiLeaks obteve um pacote de documentos de Snowden e que somente ele e a cineasta Laura Poitras têm arquivos completos do material que vazou.
O jornalista afirmou que Snowden, que estava escondido em Hong Kong antes de viajar à Rússia no fim de junho, estava feliz por deixar o aeroporto de Moscou depois que a Rússia lhe concedeu asilo temporário.
Greenwald também contou que Snowden estava satisfeito em ver o debate que despertou em todo o mundo sobre a privacidade na Internet e os programas secretos de vigilância norte-americanos usados para monitorar e-mails.
"Estou falando com Snowden muito regularmente desde que saiu do aeroporto, quase todo dia. Usamos criptografia muito forte para comunicar", disse o jornalista a parlamentares. "Ele está muito bem."
Após uma reunião em junho com Snowden em Hong Kong, Greenwald publicou no The Guardian a primeira de muitas reportagens que atingiram a inteligência dos EUA ao revelar a amplitude e a profundidade da alegada vigilância pela Agência de Segurança Nacional do uso de telefone e Internet de cidadãos norte-americanos.
No mês passado, em reportagem com coautoria de Greenwald, o jornal O Globo afirmou que a NSA espionava países latino-americanos com programas que podem monitorar bilhões de e-mails e telefonemas em busca de atividades suspeitas. Países latino-americanos se irritaram com o que consideraram uma violação da sua soberania e exigiram explicações e um pedido de desculpas.
Segredos comerciais
No Brasil, o maior parceiro comercial dos Estados Unidos na América do Sul, senadores irritados questionaram uma visita de Estado que a presidente Dilma Rousseff planeja fazer a Washington em outubro e uma compra de caças norte-americanos, avaliada em bilhões de dólares, que o país vem considerando.
Nesta terça-feira, Greenwald foi salpicado com perguntas se a NSA era capaz de espionar segredos comerciais do Brasil, incluindo a descoberta de promissoras reservas de petróleo em alto mar e as comunicações da presidente e das Forças Armadas.
Greenwald não tinha detalhes sobre alvos específicos e disse que os documentos não revelaram os nomes de empresas de telecomunicações e de Internet nos Estados Unidos e no Brasil que poderiam ter colaborado com a NSA para a coleta de dados de usuários.
O presidente da comissão, senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), disse que na próxima audiência sobre o tema algumas empresas de telecomunicações e de Internet serão convidadas para ver se colaboraram de alguma maneira com a espionagem da NSA.
Terra
Nenhum comentário:
Postar um comentário